O golpe militar no dia 31 de março de 1964 fez o Brasil mergulhar em 21 anos de ditadura que trouxe muita perseguição, injustiça e dor ao povo brasileiro.

Marcos
Chagas
Repórter da
Agência Brasil
Brasília – O
golpe militar de 31 de março de 1964 foi o mais longo período de interrupção
democrática pelo qual passou o Brasil durante a República. Qualificado pela
história como “os anos de chumbo”, o período da ditadura foi marcado
pela cassação de direitos civis, censura à imprensa, repressão violenta das
manifestações populares, assassinatos e torturas.
O
historiador e cientista político da Universidade de Brasilia (UnB), Octaviano
Nogueira, afirmou que o golpe de 1964 resultou no mais duro período de
intervenção militar na democracia entre tantos outros desencadeados no decorrer
da história republicana. “Entre 1964 e o início dos anos 70 estava em curso o
período mais duro da repressão militar”, disse Nogueira.
Segundo ele,
1964 começou, na verdade, quatro anos antes, com a renúncia de Jânio Quadros,
da UDN – um partido de direita -, em 1961, sete meses após sua posse. Apoiado
por uma ampla coligação, a renúncia deixou um vácuo de poder, uma vez que seu
vice, João Goulart, do PTB – um partido de esquerda -, era visto com
desconfiança pelas Forças Armadas.
Para
garantir a posse de João Goulart e evitar um golpe militar, o então governador
do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola (PTB), desencadeou a Campanha da Legalidade,
que reivindicava a preservação da ordem jurídica e a garantia de posse do
vice-presidente que retornava de uma viagem oficial à China. Do porão da sede
de governo gaúcho, Brizola fazia pronunciamentos à nação.
“Na verdade,
João Goulart ocupou o poder para tapar buraco, uma vez que era o vice de Jânio
Quadros. Ele sempre foi um latifundiário e conservador, mas mantinha um
discurso de esquerda herdado de Getúlio Vargas, sem nunca concretizar suas
propostas”, afirmou o professor Nogueira.
Com o
decorrer do tempo, ameaçado por greves constantes, sem o apoio da imprensa e de
parcela significativa da sociedade, os militares depõem Goulart. Em 31 de março
de 1964 o general Olímpio Mourão Filho deslocou 3 mil soldados do Destacamento
Tiradentes, de Belo Horizonte, em direção ao Rio de Janeiro para consolidar o
golpe de Estado que garantiria aos militares 21 anos de governo.

O marechal
Castello Branco assumiu a Presidência da República e João Goulart se exilou no
Uruguai. Coube ao sucessor de Castello Branco, o marechal Artur da Costa e
Silva iniciar o processo radicalização do regime a partir da edição do Ato
Institucional nº 5 (AI-5) que deu ao Executivo poderes para fechar o Congresso
Nacional, cassar o mandato de políticos e legalizar a repressão aos movimentos
sociais. Foram os anos mais duros da ditadura militar, com mortes e torturas de
militantes políticos que lutaram pela volta de democracia.
Os militares
começaram a ceder à pressão da sociedade organizada pela restituição da
democracia em 1978, no quarto governo militar, que tinha como presidente o
general Ernesto Geisel. Coube a ele instituir o processo de “abertura política
lenta e gradual”, relatou certa vez à Agência Brasil o ex-senador Marco
Maciel (DEM-PE), quando ainda ocupava uma cadeira no Senado.
Pela Emenda
Constitucional nº 11, promulgada pelo Congresso Nacional em 13 de outubro de
1978, foram revogados todos os atos institucionais e garantida a imunidade
parlamentar, lembrou Marco Maciel, à época integrante da Aliança Renovadora
Nacional (Arena) partido que apoiava o regime. A aprovação da Lei da Anistia,
no entanto, caberia ao general João Baptista Figueiredo, último presidente
militar. A anistia que deveria restituir os direitos políticos dos perseguidos
pela ditadura, acabou favorecendo também os militares.

O governo de
Figueiredo foi marcado por uma série de atentados terroristas promovidos pelo
Estado, como explosões de bancas de revistas, uma bomba enviada à sede da Ordem
dos Advogados do Brasil (OAB) e a frustrada tentativa de explodir uma bomba no
show comemorativo ao Dia do Trabalho, no Riocentro, em 30 de abril de 1981.
Em 1984 a
pressão popular ganhou as ruas pedindo eleições diretas para presidente, com o
movimento conhecido como Diretas Já. Porém, com a derrota da Emenda Dante de
Oliveira, que instituía as eleições diretas para presidente da República em
1984, Tancredo Neves foi o nome escolhido para representar uma coligação de
partidos de oposição reunidos na Aliança Democrática.
Em 1985,
Tancredo Neves é eleito, mas morre antes de tomar posse. Em seu lugar assume o
vice-presidente José Sarney, atual presidente do Senado, que governou o país
por cinco anos.
A transição
democrática, na opinião do cientista político da UnB, foi concluída em 1990 com
a posse do primeiro presidente eleito pelo povo, Fernando Collor de Mello, que
acabaria renunciando para tentar evitar o impeachment. O vice-presidente Itamar
Franco, assumiu o governo. Ele foi sucedido por Fernando Henrique Cardoso
(PSDB) que teve dois mandatos. Depois, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) governou
o país por oito anos, o que, na opinião de Nogueira, consolidou da democracia
brasileira, com a chegada de Lula, um operário e Dilama que participou da luta armada contra os militares, ao poder. 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *